65,7% das mulheres com câncer de mama esperam mais de 60 dias por tratamento

 

Iniciativa da Deputada Patrícia Bezerra busca reduzir tempo, integrar procedimentos em único local.

 

Mulheres com diagnóstico de câncer de mama, sem plano de saúde, demoram mais de 60 dias para iniciar o tratamento da doença em 65,7% dos casos, segundo estudo realizado pela Fundação do Câncer com dados dos Registros Hospitalares de Câncer do Brasil (RHC) que englobam o período de 2006 e 2018.

De acordo com a pesquisa, as pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) chegam ao tratamento em estágios mais avançados do que as do setor privado. Apenas 19% das mulheres advindas do SUS começam a se tratar em estágios iniciais 0 ou 1, contra 31% das mulheres vindas do privado. Os estágios do câncer de mama fazem referência à classificação da doença de acordo com a extensão ou gravidade e auxilia o médico na escolha do melhor tratamento. A neoplasia mamária pode ser classificada em 5 estágios (de 0 a 4), sendo o estágio zero o mais inicial e os estágios 3 e 4 os mais graves. Vale lembrar que a Lei Federal 12.732/12 determina que entre o diagnóstico e o início do tratamento do câncer pelo SUS o tempo máximo deve ser de 60 dias.

Para a Deputada Patrícia Bezerra, esse levantamento sinaliza ainda mais a urgência da aprovação do Projeto de Lei 703/21, de autoria dela, que cria o Programa de Navegação de Paciente (PNP) para portadores de neoplasia maligna de mama. A iniciativa tem como objetivo facilitar e oferecer rapidez tanto no diagnóstico como no tratamento do câncer de mama, de modo a estabelecer que tudo seja feito em um só lugar.

O PNP prevê disponibilizar o cuidado para a paciente desde o processo inicial de diagnóstico até o começo do tratamento em centros de referências oncológicos. Para a Deputada Patrícia Bezerra quem já enfrentou um câncer de mama ou conhece quem está nessa batalha sabe das dificuldades, por isso é importante haver esse acompanhamento feito de modo integrado.

As principais finalidades do PNP são: acompanhar a paciente desde o diagnóstico e ao longo de todo o tratamento; integrar terapia medicamentosa entre as equipes de saúde envolvidas para ações resolutivas e rápidas; reduzir tempo de espera e barreiras impostas às pacientes e familiares que estejam em situação de vulnerabilidade e; diminuir os custos dos recursos utilizados.

A Deputada Patrícia Bezerra ressalta que depois de dois anos de pandemia vai ser preciso um esforço para que as pacientes que ficaram sem atendimento consigam acessar os tratamentos e para isso o PNP deve ser aprovado com urgência.

O Projeto segue em tramitação na Alesp, após ter recebido voto favorável do relator, deputado Marcos Zerbini, pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, no final de novembro.