Patrícia Bezerra diz não à exploração sexual infantil na Copa do Mundo

Ato denuncia inatividade das autoridades na temática durante a Copa do Mundo

Eram apenas sete horas da manhã, quando uma multidão de pessoas começou a se formar nas redondezas do metrô Itaquera, no dia da inauguração oficial do Estádio do Corinthians. Apesar da presença de torcedores fanáticos, o grupo de pessoas estava ali lutando por uma causa que une torcedores de todos os times: o combate à exploração sexual infantil durante a Copa do Mundo no país, numa iniciativa organizada pela vereadora Patrícia Bezerra, militante pela defesa dos direitos da criança.

A ideia do ato teve origem durante a  Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual Infantil, da qual Patrícia Bezerra foi relatora. A manifestação foi pacífica e teve como objetivo chamar à atenção das autoridades, da opinião pública e da imprensa para o problema do abuso de crianças, que deve aumentar durante o Mundial no Brasil, e que já fez vítimas nos arredores do Estádio de Itaquera.

Sob palavras de ordem como “quebre o silencio”, “a justiça entrou em campo” e “levante essa bola”, a manifestação se deslocou do metrô Itaquera até uma praça próxima à Fatec de Itaquera.  Durante a ação, motoristas buzinaram em forma de apoio a iniciativa da vereadora.“Estamos aqui hoje para marcar este lugar, e para torná-lo emblemático pela justiça que chegará aqui com essa iniciativa. A exploração sexual infantil não vai mais ser praticada em nossa cidade com aval de quem quer que seja. Nós estamos aqui para dizer basta, chega. Acreditamos no valor dessa ação.   Estamos    aqui   como    pessoas  comuns, dizendo que vamos militar até o fim, até vermos a última criança e o último adolescente ser liberto desse tipo de exploração”, conclamou Patrícia Bezerra durante o ato.

“Não é possível recebermos aqui em nosso país, uma entidade que  ganha mais de 1,3 bilhões de dólares de lucro e não investe um único centavo em campanhas para dizer  que a exploração sexual de crianças está acontecendo  no Brasil”, explicou o deputado estadual Carlos Bezerra Jr., parceiro na iniciativa,  juntamente  com  a  Casa  de Assistência Filadelfia (CAF), e o Movimento Bola da Rede.  

Dados da entidade sueca Childhood, especializada na proteção de crianças, apontam que durante as Copas do Mundo na África do Sul, a violência sexual contra crianças aumentou em torno de 63%, e na Copa da Alemanha, 28%. Patrícia Bezerra teme que essas estatísticas possam se repetir no país. “Infelizmente, a exploração sexual de crianças é uma tragédia anunciada. Os dados internacionais estão aí para comprovar. A conclusão a que cheguei com meus estudos para a CPI é de que o Brasil não está preparado para proteger nossas crianças durante os grandes eventos que aqui ocorrerão, que são a Copa do Mundo e as Olímpiadas no Rio de Janeiro, em 2016. Se nada for feito, nossas crianças podem fazer parte desses índices internacionais”, explica. 

Brasil de joelhos para a Fifa. Segundo Patrícia Bezerra, o país ficou se prostrou para a Fifa, se limitando a atender suas determinações e deixando de lado a proteção das crianças. “Importância no poder público é quando há dotação orçamentária destinada. Assim como a Fifa não investiu na proteção de nossas crianças,  o país não destinou nenhum recurso para programas específicos de combate ao abuso de crianças durante a Copa.  Campanhas de proteção à crianças são fundamentais. O Brasil ficou de joelhos para a FIFA”, diz.   

 A luta continua. O ato em Itaquera é apenas uma das iniciativas da vereadora pela proteção infantil. Já estão à caminho projetos de lei para diminuir a violência sexual contra a criança e o adolescente. “Estamos com dois projetos em trânsito na Câmara, pelos direitos infantis. Um é para a regulamentação das escolinhas de futebol, e o outro, para as agências de modelo. Ambos partem do mesmo princípio: criar regras para proteção dessas crianças que, em muitos casos, são iludidas por um sonho, deixam suas famílias e vão morar em locais determinados pelas empresas, sem supervisão constante. Nesse contexto, infelizmente, meninas e meninos, se tornam alvos de abusadores”, explica Patrícia. A luta pelos direitos da criança não cessa. A justiça entrou em campo e nós levantamos a bola”, finaliza.