Contrapartidas do Carnaval para as comunidades

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Vereadores, expectadores da TV Câmara, boa tarde. Hoje venho a esta tribuna falar a respeito do Carnaval; especificamente, em relação ao Orçamento destinado ao Carnaval à Fábrica do Samba. Ela começou a ser construída no Governo anterior e até agora não foi concluída. Possui um Orçamento de 126 milhões de reais e recebeu mais 40 milhões do PAC para a conclusão, sendo que para todo o PAC Turismo de São Paulo o orçamento é de 260 milhões. Ou seja, 15% do orçamento total do PAC para o turismo da cidade de São Paulo é destinado para a Fábrica do Samba, que até agora não foi concluída e que, conforme informações, será concluída somente no final de 2016.
Imaginamos que o Carnaval do Rio seja caríssimo e que o Carnaval de São Paulo fique muito distante do orçamento do Carnaval do Rio. Mas, para nossa surpresa, o Carnaval de São Paulo é o segundo mais caro do Brasil, inclusive ganhando do de Salvador, que fica em quarto lugar. O Carnaval carioca custa 35 milhões de reais para a Prefeitura do Rio de Janeiro, e o de São Paulo custa 33,9 milhões para a Prefeitura. É uma diferença muito pequena, sendo que o Carnaval do Rio – vamos fazer uma ressalva justa – atrai muito mais turistas e movimenta muito mais a economia do estado.
O Carnaval de São Paulo gera muito pouco recurso para a Cidade, porque as pessoas não ficam na cidade, não há um turismo concreto em São Paulo. As pessoas compram, consomem no comércio da Cidade, mas não vem para se hospedar aqui em São Paulo, ao contrário do que ocorre no Rio de Janeiro e em Salvador.
Agora, o que mais me preocupa na questão do Carnaval de São Paulo é a falta de contrapartida para a comunidade, é disso que quero tratar nesta discussão. Acredito que deve existir contrapartida para a comunidade, por conta do recurso municipal e Federal aplicado no Carnaval de São Paulo. Acredito que deva haver uma contrapartida para as comunidades, a exemplo do que ocorre no Rio e em Salvador. De que forma? Que o espaço da Fábrica do seja utilizado em benefício da comunidade local, para que existam oficinas e locais de geração de emprego e renda que possam ser usufruídos pela comunidade.
Devo lembrar que o recurso que vem do PAC - os 15% que totalizam 40 milhões - só fica para o Grupo Especial, não retorna para investimentos na comunidade. Estamos falando de muito dinheiro. Digo isso porque toda a bilheteria é revertida para as escolas de samba, então nada mais justo que as escolas de samba contribuam para as suas comunidades locais, beneficiando aos cidadãos paulistanos.
Era isso, Sr. Presidente. Muito obrigada.