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​O presente é você

21.12.2014

Seja o amor que o ‘bom velhinho’ não traz

Conhecemos bem o frenesi que surge com a proximidade das festas de final de ano, principalmente o Natal. Há uma corrida desenfreada para comprar presentes, ou, ao menos, uma pequena lembrança, como um cartão. É comum assistirmos reportagens na TV mostrando como a rua 25 de Março fica lotada nessa época, não é? Quem nunca viu?

Hoje, o que ficou ‘instituído’ no Natal é que essa data não pode passar em branco. E, infelizmente, nos deparamos com uma triste realidade: presentes representam a materialização do afeto, do sentimento e do amor que se quer demonstrar. Acho que o caminho não é esse, né?

A tendência de presentear como forma de amor, inclusive, foi apontada em um famoso livro, que trata sobre as famigeradas “cinco linguagens do amor”’. O livro é até interessante, mas, para mim, bastante simplista. Bom, isso fica para outra hora. Contudo, me parece que esse livro reforçou a ideia de que ‘encher’ alguém de presentes é amar. Se realmente fosse, a sacola do ‘bom velhinho’ estaria cheia de amor. Puro engano. Presentear até pode ser uma forma limitadíssima - diria eu – de demonstrar afeto, mas não amor. Trata-se de uma falácia. Se fosse verdade, famílias pobres não poderiam mostrar o quanto seus filhos são amados nesse período de consumo alucinado. E não nos esqueçamos de que o Messias não nasceu em uma família abastada. Ele veio desprovido de recursos, mas não de amor.

Falar de amor não faz sentido se estiver fora do contexto de dar-se e doar-se para alguém, o que é completamente diferente da perspectiva de presentear. Presentes custam um valor expresso em forma de soma de recursos e não de quantidade de amor. Já doar-se custa algo de nós. Representa divisão. É abrir mão de si pelo próximo.

Isso tudo não significa que agora você tem um precedente para não dar presentes para mais ninguém. E não queira argumentar dizendo que a culpa é minha por ter escrito isso, hein! (rs). Não vamos abandonar a ‘linguagem habitual’ do Natal. O que estou dizendo é que devemos nos desprender do egoísmo e doar-se pelo próximo em vez de se justificar com presentes compulsórios, e que, de uma maneira ou de outra, nos eximem da culpa por não estarmos realmente próximo de quem amamos. Lembre-se: Você é o melhor presente que alguém pode receber!
Sendo assim, feliz Natal e feliz Doação: mas não de coisas, e sim de si!

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